quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mosteiro da Batalha, Igreja de S. Domingos de Elvas, Igreja de S. Francisco de Estremoz, Igreja de Sta. Maria do Olival em Tomar e Igreja de S. João Baptista em Tomar.

29-Novembro-2012
Sumário: Mosteiro da Batalha, Igreja de S. Domingos de Elvas, Igreja de S. Francisco de Estremoz, Igreja de Sta. Maria do Olival em Tomar e Igreja de S. João Baptista em Tomar.
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Mosteiro da Batalha
· Marca da nossa independência, face ao poder dos Castelhanos.
· 1385 – D. João I – vitória de Aljubarrota.
· Diferente altura entre a nave central e a nave lateral, não sendo significante.
· Em planta de cruz latina, a igreja revela o apego à tradição do gótico mendicante português. Trata-se de um templo de 3 naves, com transepto pronunciado e cinco capelas na cabeceira, sendo as laterais de igual profundidade (as mais interiores no enfiamento das colaterais; as exteriores deitando para o braço final do transepto), todas elas precedidas de um tramo recto (ligeiramente prolongado na capela-mor). 
· Arcobotantes em cima das naves laterais, 2 andares.
· Capela do Fundador.
· Sistema de vãos de grande dimensão (perecem mais altos do que são).
· Gablete (término da janela até onde acaba o frontão).
· Excesso de decoração.
· Sucessão de luzes acompanhadas pelo vitral.
Cabeceira
· Dinamismo que constitui o gótico.
· Capelas inacabadas.
Entrada Lateral
· Pormenores do edifícios exagerados.
· Arcobotantes abertos.
· Janela com renda no meio.
· Expressão decorativa.
Cobertura
· Abóboda de penetrações laterais (ou abóboda estrelada – mais abatida que as do gótico), do gótico tardio.
Claustro
Com galerias muito altas, muito abertas e de grande dimensão, galerias com arcos com uma altura muito significativa.
Igreja de S. Domingos de Elvas
 http://www.pbase.com/image/96960620                                                                 

Actualmente só existe a cabeceira como havia na origem; Um dos mais desenvolvidos na Arquitectura Mendicante;
Cinco capelas, ajudam a perceber a verticalidade dos mendicantes;
Cabeceira escalonada: feita da escala maior para a escala menor;
Capela-mor: mais alta, mais larga, mais profunda;
Na Arquitectura medieval, as capelas laterais eram sempre iguais umas às outras, não se notava esta diferenciação;
Usualmente as capelas estão fisicamente separadas, mas neste caso à uma ligação entre estas:
Valor simbólico: estão a considerar que a capela-mor não se esgota em si própria, mas prolonga-se para as capelas laterais, realçando a sua importância;
Elementos ligados como de um todo de tratasse;
Aspecto que só se verifica nos edifícios mendicantes;
Os outros edifícios passaram a adoptar esta técnica da capela escalonada, dai  a importância dos mendicantes no desenvolvimento da Arq. Gótica;
- Interior:
Naves alteradas no séc. XVI;
Cabeceira: parte pequena de ligações das capelas, está sempre presente;
Capelas escalonadas com dimensões diferentes, percebendo-se o interior pela dimensão das entradas;
A porta anuncia a dimensão e a importância da capela / diferença de escala;
- Arquitectura mendicante: simples, barata, pobre e modesta;
– Preocupação curiosa uma vez que a abertura destas passagem e o próprio escalonamento da cabeceira eram muito difíceis de fazer;
- Abóbada com penetrações laterais;
- A cabeceira é o único elemento onde os mendicantes cedem ao gótico internacional. Abertura de vãos de carácter vertical, embora simples e cuidados, sem grande exuberância, que possibilitam uma luz simples e com pouca dinâmica.

Igreja de S. Francisco de Estremoz
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_S%C3%A3o_Francisco_(Estremoz)#Galeria
http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_S%C3%A3o_Francisco_(Estremoz)#Galeria
- Fachada alterada no Barroco
- Interior:
Nave central com iluminação a nível superior através de janelas na fachada;
- Aqui não se usa a pedra na totalidade do edifício;
As paredes são de alvenaria e depois caiadas de branco, o que permite uma maior leveza;
Mais simples e barato, devido também à cobertura em madeira;
Parede branca, mais luz e caracter de leveza;
A luz é moderada, controlada e sem excessos;
- Aberturas muito pequenas, quase insignificantes, não era preocupações dos mendicantes;
- Edifício com três capelas;
- Diferenças em relação aos edifícios do norte: não se utiliza a pedra, esta aqui só serve de suporte, utilizando-se a alvenaria e madeira, para criar maior leveza; e as do sul têm ainda menos aberturas que as do norte.

Igreja de Sta. Maria do Olival (Tomar)

- Igreja não mendicante, mas feita segundo o modelo deste, não tendo qualquer diferença para estas;
- Igreja pequena e simples, com três naves;
- A cabeceira é igual a uma cabeceira mendicante e as capelas comunicam entre si;
- Fachada:
Tem um grande portal com gabelete: prolongamento do portal fora do arco, de modo a aumentar a verticalidade;
Grande rosácea. Esta e o gabelete são as únicas características não mendicantes;
- O nome mostra que não é mendicante, se fosse teria de chamar-se S. Domingos, S. Francisco ou Sta. Catarina.

Igreja de S. João Baptista (Tomar, séc. XV)


- Edifício não mendicante, embora possua características deste;
- Mesmo tipo de aberturas nas naves central e laterais;
- Edifício muito simples, mais que os mendicantes;
- Interior: idêntico aos mendicante, com paredes de alvenaria, cabeceira mais pequena, com capelas também mais pequenas;
- Não existe passagem entre as capelas;
- Cobertura em madeira;
- Vãos pequenos e capiteis pobres tal como nos mendicantes;
- Simplicidade notória nos capiteis das colunas;
- Edifício com alguns erros:
– Arcos com medidas diferentes entre si;
– Vãos desenquadrados com os arcos;
– Notória falta de formação de quem constrói;
Muitos destes edifícios são feitos por voluntários que ajudam sem receber nada em troca;
– Se a cobertura fosse em pedra o edifício desmoronava-se.



























sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Mosteiro de Alcobaça e Sé de Évora

22-Novembro-2012
Sumário: Mosteiro de Alcobaça e Sé de Évora
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Mosteiro de Alcobaça (finais do séc. XII)

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Alcoba%C3%A7a.mosteiro.view.castello.jpg                                


- 1º Edifício Gótico em Portugal, pertencente ao Gótico Vertical;
Mandada realizar pela ordem de Cister, apostada na verticalidade e num edifício com qualidade;
- Gótico muito decorado e sóbrio;
- Arquitectura de grande qualidade, a verticalidade é sugerida de um modo puro, sem truques;
- Fachada alterada no séc. XVIII;
- Grande rosácea (simples, mas com grande escala, permite entrar muita luz);
- Torres alteradas;
- Alguns elementos barrocos;
- Contudo, o perfil da Igreja manteve-se inalterado;
- Edifício muito alto, monumental;
- Altura do portal ultrapassa dois pisos normais (portal simples, sem decoração, mas monumental, vive da escala);
- O convento é muito vasto;
- Igreja e claustro;
- Antigo refeitório:  típico de um edifício experimental, visível na dimensão dos contrafortes;
- Paredes muito esventradas, com muitos vãos devido à abobada gótica no interior. Só foi possível paredes assim porque tem contrafortes fortíssimos (de origem Românica), de grande dimensão:
- Grande preocupação e falta de confiança nos novos sistemas construtivos: ainda não havia certeza em algumas novas técnicas. Nova arquitectura, novos métodos, dai o exagero dos contrafortes.
- Fachada de um dos topos do transepto dividido em duas partes, no sentido transversal, embora não seja ao meio, como duas naves;
- De um lado tem aberturas românicas e do outro tem aberturas góticas: talvez se deva ao facto de ter demorado 50 anos a ser construído, passaram diversas pessoas pela sua construção;
- Capela-mor - cabeceira:
Contraforte gótico: semelhantes aos românicos mas mais estreitos, menos pesados, denominados butareus,
    depois deste butareu (é só uma diminuição do Românico) surgiu o arcobotante (mais delgado, com arco), que é colocado nos pontos de maior carga, contrariando o sentido de desmoronamento lateral:
- Zona mais evoluída: cobertura, vãos, janelas esguias e muito abertas (permite boa entrada de luz);
- Edifício fortificado com merlões e ameias na cobertura;
- Singularidade nesta arquitectura cisterciense, uma vez que está feito em Portugal e seguiu a tendência do que se fazia na época;
- Claustro inferior, do séc. XII e o superior do séc. XIV;
- A diferença de altura entre as naves laterais e a central é pouco significativa;
- Pormenor “pouco gótico”, a nave central deve ser muito mais alta do que as laterais, de modo a acentuar a verticalidade;
- Envolve problemas técnicos de modo a segurar a nave central, por vezes faziam-se duplos arcobotantes para segurar a nave;
- Neste edifício optou-se por subir as naves laterais em relação à central, o que é raro no Gótico;
- Apesar disto não se perde a verticalidade, a nave central é muito alta e as naves laterais como também são estreitas e altas conferem uma grande verticalidade;
- Interior:
- Grande em altura, comprimento e largura;
- Uso de abobada gótica, entre cada tramo existe um cruzamento de arcos;
- Mísula: elementos salientes dos pilares que estão colocados junto ao solo, de modo a receber as cargas de peso;
- O facto de se localizarem mais a cima serve para enfatizar a verticalidade;
- Pilares enormes e fortíssimos;
- Arquitectura muito limpa, com formas quase secas;
- Arquitectura constituída apenas por elementos arquitectónicos essenciais: paredes e coberturas;
- Luz límpida e suave, sem vitrais;
- Nave lateral:
- Quase à altura da nave central, sendo raro haver na Europa naves laterais tão altas;
- Grande verticalidade devido ao facto de ser muito estreita
- Arcos cruzados entre cada arco conferido pelos pilares. Conferem mais pontos de descarga;
- A parede, a certa altura deixa de servir de estrutura;
- Forma simples e austera de acordo com a decoração dos elementos;
- Pequenos elementos decorativos (capitéis) no topo dos pilares;
- Funcionam de contrafortes à nave central;
- Arquitectura com carácter, dignidade e apelativa aos céus;
- Não se trata de um edifício para multidões, abria ao publico apenas em alguns dias especiais, era frequentado apenas pelos monges;
- Acústica muito acentuada, fabulosa;
- Capela-mor:
- Muito alta, quase da altura da nave central;
- Abobada muito dividida e com muitos arcos, permite muitas aberturas;
- Arcos muito finos, altos e estreitos conferem grande elegância;
- Luz de grande simplicidade, muito homogénea, devido à abóbada ser muito nivelada;
- É fortificada, o que é raro na Arquitectura Cisterciense (nos outros países não usavam fortificações); 
- Todos os elementos são de grande qualidade e simples, verdadeiros: nada é supérfluo;
- A igreja de Alcobaça estava fechada ao público, funcionando apenas para os monges. Só abria em dias importantes. A sua escala não era para multidões, vinha do conceito dos Cistercienses.
Sé de Évora (séc. XII a XIII)   


Segundo edifício do gótico vertical em Portugal;
- Tradição e inspiração francesa;
- Lembra a sé de Lisboa, com duas torres, apesar desta ser um edifício românico. Essa semelhança evidencia-se na composição da fachada;
- Edifício de transição, evidente nas torres, que são diferentes (uma românica e outra gótica com aberturas);
- Deve-se ao facto de terem havido diferentes trabalhados e diversos métodos;
- Características do “Bom Gótico”;
- Pórtico decorado com figuras embebidas nos pilares;
- Aposta na verticalidade, nos capitéis dos pilares, através destes elementos;
- Edifício alto, mas não muito alto (semelhante à altura da Sé de Lisboa);
- No interior a ideia de verticalidade é conferida pela relação largura/altura;
- Edifício de dois andares (os edifícios internacionais, teriam até quatro andares). O 2º andar tem uma galeria semelhante à galeria da Sé de Lisboa;
- Edifício extremamente iluminado;
- Abóbada gótica;
- Na zona do cruzeiro (onde dá-se o cruzamento da nave central com o transepto) foi construída uma grande lanterna (cúpula), conferindo um sentido de verticalidade;
- É semelhante às que se faziam em França, com inúmeras aberturas, que criam um jogo de luz, e elementos verticais;
- Luz divina: vem do alto;
- Zona simbólica, de transição do espaço do povo para espaço divino;
- Utilização do vitral: muda o sentido da luz, mais dinâmica;
- Grande postura vertical, vê-se o mosteiro a muitos quilómetros de distância;
- Aberturas do claustro maiores do que em Alcobaça (Gótico mais evoluído);
- No interior do claustro, nota-se a verticalidade e a presença de muitas janelas;
- Dois arcos cruzam-se dentro do tramo de maior capacidade de descarga.
- Nota: A Sé é uma igreja episcopal, não de convento, mas também têm claustro porque o bispo tem um tipo de colégio de padres que o acompanham.











sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Gótico - Contextualização Histórica

15-Novembro-2012
Sumário: Gótico - Contextualização histórica.
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CONTEXTO HISTÓRICO
Cronologia:
Surge em alguns países nos meados do século XII e é divulgado por toda a Europa até ao séc. XV
Enquanto que a filosofia do Românico é semelhante em toda a Europa, no Gótico existem dois grandes tipos
O Gótico Francês, Inglês e Alemão: Gótico Vertical, da luz e do vitral. Pretendiam edifícios o mais alto possível (houve como que uma competição para ter o edifício mais alto). Estes edifícios tinham grandes aberturas, com vãos que possuíam vitrais, não sendo as paredes que suportavam o peso.
Gótico mediterrâneo / meridional ou Gótico Horizontal: edifícios mais baixos, não porque não consigam, mas por não quererem.
 - Gótico Português:
 - Inicia-se no séc. XIII, embora tenha havido uma primeira experiência gótica séc. XII, coincidente com o Românico
 - Relacionado com a expansão do território / reconquista cristã. O Algarve foi conquistado no séc. XIII, mas inicialmente, e devido à instabilidade, não foram construídos edifícios. Assim, devido ao esforço de guerra, e mesmo após o fim desta, Portugal era um país pobre e pouco estável, tendo se construído apenas igrejas, góticas,  no sul do país, dado que no norte já existiam igrejas, românicas, em número suficiente. Existe assim uma geografia do Gótico em Portugal: a sul, enquanto que o centro e norte têm obras românicas
  - Os dois tipos de Gótico chegaram a Portugal, sendo o mais implantado o Gótico Horizontal. Mas houve uma experiência, única e rara, feita por uma nova ordem religiosa, os Cistercienses, que era claramente do Gótico Vertical.

GÓTICO VERTICAL
- Os Cistercienses:
   - Fundados por volta do inicio do séc. XI, porque achavam que as ordens tradicionais estavam a tornar-se demasiado ricas. Seguindo esta ideia, criaram, uma ordem que buscava o desapego dos bens materiais, assim como a humildade. O bem mais importante esta ordem era a cultura, sendo os seus membros homens de grande cultura.
   - Inicialmente construíram um convento em França, difundindo-se a partir daqui um pouco por toda a Europa.
   - É considerada a ordem que mais contribuía para o desenvolvimento das terras onde estavam instalados. Isto deve-se aos dois tipos de monges que tinham: os que ficavam no convento e os que ajudavam as populações na agricultura
   - Acabaram por se tornar uma ordem poderosa e rica, mas mantiveram uma filosofia de não mostrar o que tinham. Para eles o mais importante era divulgar a cultura. Enquanto as outras ordens, por exemplo a Beneditense, investiam em Jóias, como crucifixos, os cistercienses investiam na cultura, em grandes bibliotecas.
   - São os que viriam a ter os edifícios mais altos e verticais, mas contidos e simples, onde, por exemplo, aplicam poucos vitrais, dado que isso seria luxuoso.
 - D. Afonso Henriques nos meados do séc. XII convidou pessoalmente o fundador da ordem a vir instalar-se em Portugal, atribuindo-lhe para o efeito um enorme território: zona de Alcobaça (ia de Leiria a Santarém). Assim S. Bernardo (o fundandor) começou a construir um convento em Alcobaça, de grande qualidade, que se tornou o segundo maior mosteiro cisterciense em toda a Europa, isto durante quase toda a época medieval. Alcobaça foi assim um edifício importante, embora fosse, como alguns outros edifícios pela Europa, de um Gótico ainda experimental. No inicio da sua contrução, quer a Sé de Lisboa, quer a Sé do Porto ainda estavam a ser construídas.
 - Depois de Alcobaça, apenas a Sé de Évora e a Batalha foram edificadas segundo o Gótico Vertical.

GÓTICO MEDITERRÂNEO / MEDIEVAL  OU HORIZONTAL OU MENDICANTE

 - Inventado por ordens mendicantes: Franciscanos, mendicanos e claristas. Estas ordens surgem no séc. XIII em Itália, num contexto em que as cidades estão em desenvolvimento, com pessoas que agora já tinham mais posses. Simultaneamente, o número de pobres foi aumentando. As ordens religiosas tinham muito poder, havendo grupos dentro da igreja que defendiam o desprendimento da igreja relativamente aos bens materiais. Devido à pressão que estavam a criar dentro da igreja e em volta do próprio Papa, estes grupos tiveram que ser dizimados por cruzadas. Após esta ‘rebelião’ foram criadas pela igreja ordens pobres, que viviam a pedir esmola. 

 - As ordens mendicantes instalaram-se em todas as grandes cidades europeias, próximo dos pobres, com grande sucesso, dado que qualquer pessoa poderia ser mendicante, tendo como única actividade a recolha de esmolas, para distribuir entre os pobres, e, eles próprios viviam dessas esmolas.

 - A necessidade de igrejas e mosteiros, levou-os a desenvolver uma Arq. diferenciada, não vertical, sendo deste modo edifícios mais baixos, horizontais e terrenos. Os seus edifícios não passaram dos dois andares, enquanto que o Gótico Vertical  chegou aos quatro pisos. S. Francisco considerou proibidos os vitrais, que manifestavam luxo e a própria adulteração das cores criada pelos vitrais seria uma arrogância perante Deus.
 - Os edifícios mendicantes, na sua maioria possuem cobertura em madeira, dado as naves seriam o local do povo a cobertura poderia ser realizada neste material, enquanto que a capela-mor possuía cobertura em abóbada , dado ser o local de Deus.
 - Grande parte das cidades portuguesas possuem dois edifícios mendicantes (franciscanos e mendicanos). Para além deste número de edifícios mendicantes, a maioria dos restantes edifícios Góticos em Portugal são parecidos e semelhantes, ou até mesmo iguais aos mendicantes. Em Portugal o Gótico costuma-se, por este motivo, classificar-se de Gótico mendicante, dado que os edifícios que não o eram assemelhavam-se a estes.

ARQUITECTURA CIVIL

 - Coincide com o crescimento urbano e diversas alterações profundas na estrutura da cidade
 - Antes do séc. XII as cidades eram ligadas ao poder feudal ou ao poder da Igreja. Eram assim dependentes do poder senhorial, sendo a sua maior preocupação a defesa, o que relegava o comercio para um plano inferior. Com o tempo estas preocupações foram reduzindo-se e o comércio foi ganhando relativa preponderância.
 - A partir do séc. XII as cidades crescem relativamente, ganhando enorme importância a nível financeiro, dada a existência de um maior número de população, assim como o crescimento da burguesia. Este crescimento criou diversas dificuldades e problemas na estruturação da cidade, problemas que foram acentuados pelo facto de as cidades, embora com poder financeiro, não possuírem poder político nem cultural.
 - Foi neste contexto que surgiram as universidades, que eram a manifestação da necessidade de uma população mais culta
 - A partir do séc. XIII e XIV, cria-se na Europa o municipalismo, que vai criar a independência da cidade, criada através de protocolos entre os senhores. A partir deste momento a cidade passa a fazer leis e a cobrar impostos, não sendo governada pelo senhor, mas pagando imposto a este, sendo da responsabilidade do senhor defender a cidade.
 - O municipalismo criou os representantes da cidade, que tiveram de criar estruturas que não existiam anteriormente (tribunais, abastecimento de água, etc.), assim como assegurar um bom funcionamento administrativo da cidade (n.º de funcionários, o n.º e distribuição de sapateiros, merceiros, etc.), o controlo dos edifícios que vão ser construídos (público: câmara, tribunal, mercado, etc.; e privado: evoluir da cidade) e a manuntençaõ das muralhas defensivas.
 - A cidade medieval nunca poderia ser muito grande, dado que a estabilidade política, principalmente no sul da Europa, ainda não era muito grande.
 - A cidade tinha que ser organizada num espaço limitado. O funcionamento das ruas, praças e edifícios públicos estavam organizados segundo uma lógica de funcionamento, que seguia regras bem definidas. Na rua principal encontramos o centro da cidade, onde se localizam os três poderes: Político (Câmara), Religioso (Igreja) e Judicial (tribunal).
 - Embora todos os edifícios dos diferentes poderes estivessem perto do centro da cidade, cada um desses edifícios tinha uma praça própria. A praça faz parte da cultura latina, dado que desde a época romana que esta servia para os debater assuntos na rua. A praça é essencial também porque, além da cultura latina, numa câmara deve haver uma praça para debater os assuntos cívicos e haver reuniões da população, tal como era necessário, nesta época, existir uma praça frente ao tribunal para que seja divulgada a sentença dos julgados, dando a ideia de justiça exemplar.
  - Quando os edifícios dos diferentes poderes tinham que ter uma única praça, esses poderes tinham que ser claramente separados
 - As cidades eram pensadas segundo um rudimentar mas funcional e lógico plano urbanístico: na rua onde se localiza um ourives não deveria haver um tanoeiro (produtor de barris) ou onde estivessem sapateiros não deveriam haver ourives, por exemplo. A industria malcheirosa (os curtumes da cidade) ficavam longe do centro da cidade e num sítio cujos ventos dominantes levariam os cheiros para fora da cidade.

 - Surgiram bairros, que tentavam evitar a mistura de raças: Mouraria (bairro dos mouros, homens de ciência ou então os que faziam os trabalhos difíceis) e Judaria (bairro judeu, os mais ricos). A mesquita não poderia estar no centro da cidade, mas também não poderia estar muito afastada

 - As cidades medievais já possuíam legislação para a construção de edifícios (regras para as varandas, por ex.). As cidades medievais tinham um edifício de banhos.

 - A casa do nobre altera-se profundamente (da torre passa para o paço ou palácio. Estes, ou modificavam a torre ou eregiam novos palácios, mas sempre a partir de um corpo de ligação horizontal entre duas torres.

 - A burguesia aplica o conceito de casas dos nobres: a partir de duas torres de pedra quadrangular, embora aqui já tenha mais aberturas

A habitação do povo pouco ou nada se modificou em relaçao do Românico.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Visita a Alcobaça

Caros alunos no próximo Sábado dia 17 de Novembro a USAZ irá realizar uma visita a Alcobaça com partida de Setúbal, seria importante a vossa participação no âmbito da nossa disciplina, visto que iremos estudar o Mosteiro de Alcobaça brevemente com introdução da arquitectura Gótica em Portugal. 
A visita terá o custo de 15 Euros, com deslocação em mini-bus.
A quem estivesse interessado agradeceria o contacto a Professora Luísa Antunes que vos dará toda a informação necessária.
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Como trabalho de visita, deixo o repto para a elaboração de um pequeno relatório de análise do Mosteiro da Alcobaça, no que concerne à arquitectura, nomeadamente os elementos arquitectónicos fundamentais do edifício.
Também seria pertinente que adquirissem as brochuras facultativas existentes.  
Na aula de amanhã darei mais informações para desenvolver este trabalho.
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O trabalho é facultativo consoante a vossa disponibilidade.

Obrigada tenham boas aprendizagens!!!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

ARQUITECTURA CIVIL - Edifício Domus de Bragança (séc. XIV)

8-Novembro-2012
Sumário: Conclusão do Romanico.
Igreja de Rio Mau, Igreja de Abade de Neiva, Igreja de Serzedelo, Igreja de S. Pedro de Tarouca, Igreja de Castro de Avelãs.
Arquitectura civil - Edifício Domus de Brangança.
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 http://www.timetogo.com/index.php?option=com_pti                                                                           


 - Único edifício não religioso ou militar do Românico, feito na época Gótica- Único no mundo, uma vez que foi feito numa época gótica, mas dentro do espírito do românico. Todos os edifícios desta época já eram góticos. Para a época em que foi feito era suposto já ser Gótico;
   - Pertence a um tipo de construções habituais na Europa, no séc. XIV, época Gótica;
   - Edifício de dois andares, sendo o inferior um enorme reservatório de água, e o superior um espaço de reunião, onde se reuniam os elementos do poder camarário para debater problemas da cidade. Pensamento económico, era um edifício com dupla funcionalidade, sendo obrigação da câmara abastecer a cidade de água;
   - Cobertura em madeira com asnas e travejamento em cima que assentam num líntel suportado por cachorros;
   - Base pentagonal;
   - Acesso ao edifício feito através de escadas.

Igreja de Castro de Avelãs (Bragança)


- É actualmente o resto de uma grande igreja com 3 naves. Só sobreviveu até agora porque no séc. XVIII foi construída uma nova igreja agarrada à cabeceira antiga (do séc. XIII);
- Feito em tijolo de pequena espessura, materialidade única aplicada em Portugal, leva-nos a pensar que poderá ter havido edifícios em Portugal não conhecidos;
- Edifício completamente abobadado, com uso de arcadas cegas, tem poucas aberturas.



Igreja de S. Pedro de Tarouca (Lamego, séc. XIV)




- Igreja Românica mas com muitas influências góticas;
- Torre sineira e portal Gótico;
- Porta lateral Gótica;
- Fachada com pequenos pináculos de modo a sugerir verticalidade;
- Foi-lhe adoçada uma nova capela românica;
- Corpo da nave manteve as velhas frechas românicas;
- Fachada com abertura em cima , o resto da parede é fechada (ar gótico, mas com a ideia de um edifício fechado);
- Interior totalmente modificado com cobertura arredondada (em madeira) a sugerir abóbada. O interior foi alterado e transformado, assemelhando-se ao Barroco;
- A Capela-mor original foi destruída no séc. XVIII e depois reconstruída segundo o Barroco;                     
- Nesta altura as intervenções eram feitas sem qualquer ligação às preexistências.